Blog da família Coutinho, com origem em Sedielos - Peso da Régua, e hoje espalhada pelo mundo. Este será um meio de comunicação entre nós e os amigos. Publicaremos também alguns artigos de interesse geral, nomeadamente sobre o nosso querido Douro.
Sexta-feira, 31 de Março de 2006
OS COUTINHOS

                                     

O digníssimo administrador deste blog solicita-nos a colaboração e participação no mesmo, justificando-se assim a sua criação e elaboração para um maior intercâmbio do ideal familiar. Ora se assim é, não podíamos deixar de imediatamente disponibilizar a nossa modesta colaboração, já que fomos um dos impulsionadores da ideia e a par de todos vós partilhamos este ideal comungado na nossa educação paternal que nos ensinou que o conceito de unidade familiar deveria não só ser mantido como transmitido aos nossos vindouros.

   No sentido de enriquecermos os conhecimentos dos mais jovens e dos menos esclarecidos, aqui estamos no intuito de lhes transmitir o resultado do mergulhar na pesquisa dos anais da história e desfolha das notas soltas que a vida nos vai oferecendo. Recuemos pois até ao século XII, onde aparece a primeira linhagem desta família descendente de D. Garcia Rodrigues da Fonseca, colaborador da casa real na reconquista de Lamego e lhe foi atribuído o couto de Leomil, que por ser de pequenas dimensões, lhe chamariam “coutinho”. Desta forma e com origem toponímica, surgem os primeiros coutinhos da história: D. Vicente Viegas Coutinho e D. Fernão Martins Coutinho. Destes primórdios naturais das terras de Balsemão viriam a surgir outros nomes grandes da história, como Vasco Fernandes Coutinho (1º Conde de Marialva),* que por casamento viria a fazer parte da casa dos Duques de Lafões. Dos detentores deste apelido surgiram ainda várias casas titulares, tais como: condes de Redondo(depois marqueses de Borba), marqueses de Santa Iria, condes de Linhares, marqueses do Funchal, lordes de Lamego e Penedono. Penedono é uma vila da Diocese de Lamego, onde existe um dos mais antigos Castelos Medievais de Portugal.


   Além de destemidos guerreiros e distintos colaboradores da casa real, detêm ainda os de «Riba D'ouro» (assim eram nomeados), outras vertentes de cavalheirismo, valentia, diplomacia e cultura. Entre eles destacamos D. Álvaro Gonçalves Coutinho, um dos Doze Cavaleiros Portugueses que foram a Inglaterra no século XIV para honrar o nome de doze Donzelas Inglesas, que tinham sido insultadas por alguns Cavaleiros Ingleses. A sua alcunha era “O Magriço”, o Cavaleiro Conquistador de Donzelas. Este acontecimento foi eternizado no poema épico de Camões “Os Lusíadas”. Outros foram ainda os membros da família distinguidos: Manuel de Sousa Coutinho 1555/1632 ( 31º Governador da Índia, Ceilão e Malaca, no século XVI );Francisco de Sousa Coutinho ( Embaixador Português na Holanda, Dinamarca e França entre 1640 e 1660) ; Alexandre Pinto de Sousa Coutinho ( Governador Militar de Armamar no séc. XVIII ) .


   No campo cultural, vai o nosso destaque para Manuel de Sousa Coutinho, que viveu entre 1555 e 1632 . Possuidor de um incomparável espirito de aventura, escreveu uma peça sobre a sua vida. Foi feito prisioneiro pelos Mouros na Argélia, e quando o libertaram regressou a Portugal, casando com D. Manuela Vilhena, tendo desta uma filha. Aquando do domínio do reinado espanhol, Manuel de Sousa Coutinho, num acto de orgulho e amor ao Reino, incendiou o seu próprio palácio, para que os Governadores Espanhóis não se alojassem na sua própria casa. Foi obrigado a sair do país e quando regressou, alguns anos mais tarde, já sua filha tinha falecido. Essa perda levou-o, em conjunto com sua esposa, a uma vida de clausura. Assim, e em 1614, Manuel de Sousa Coutinho foi recebido no Mosteiro Dominicano de Benfica em Lisboa, onde adoptou o nome de Frei Luís de Sousa.


   Convém destacar também no seu todo as armas da família, que são: de ouro, com cinco estrelas de vermelho de cinco raios, postas em aspa. Timbre: um leopardo vermelho, armado e lampassado de ouro, carregado com uma estrela de cinco raios do mesmo sobre a espádua e segurando uma capela de flores de suas cores na garra direita. Volvidos tantos séculos depois da fundação desta valorosa e destemida família, nunca será de mais constatar que entre os de «Riba D’Ouro» e os da «Ponte da Fraga», exóticas penas e aparos d’oiro nada mais escreveram senão glória, altivez, bravura, diplomacia e cultura na história que continuamos a saber fazer. Que assim seja por todo o sempre, tendo sempre como o mais alto objectivo: altivez e honra de pertencer a uma das mais venturosas famílias da História da nossa Pátria, que espalhou produtivas raízes por todo o planeta. Sempre na senda do progresso, paz e união! Assim é a família Coutinho, assim o sabemos ser!


   *Marialva é uma bonita freguesia do Concelho da Meda, distrito da Guarda, onde no século XII foi construído um castelo para defesa da região. Em 1440 a vila passou a condado que ficou na posse da família Coutinho. Hoje este castelo em ruínas é propriedade do IPPAR. Aconselha-se visita.


   Basileia, Suiça /Janeiro 2006


   Casimiro Coutinho 



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Sábado, 11 de Março de 2006
SAUDAÇÕES

         

Foi com grande prazer que tive conhecimento da existência de um " BLOG" familiar, ideia à qual me associo totalmente. Trata-se de um espaço ideal para comunicar, trocar ideias, promover a aproximação entre todos os familiares, discutir e comentar assuntos do interesse geral, para além da publicação de temas não só criativos como opurtunos. Assim, e em jeito de primeira participação, aproveito para saudar, não só a ideia, como todos os familiares e amigos que consultem este espaço, a quem envio um grande abraço, desejando que todos se encontrem de boa saúde. Até breve.

 

Matarraque, 10 de Março de 2006

Jorge Coutinho

 

P. S. Comentando a realização do próximo encontro familiar, entendo que ele se deve realizar no Domingo, pelos motivos já apontados pelo Gino, com os quais eu concordo. No entanto, olhando à forma como a proposta está a ser apresentada, parece-me que se está a esquecer o NOSSO ENCONTRO de irmãos. Será assim? Esse encontro, penso eu, já está instituído, e, sem prejuizo de outros, é de minha opinião que não devermos abdicar dele, por motivos que eu penso serem óbvios. Espero outras opiniões.

Jorge Coutinho



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Sexta-feira, 10 de Março de 2006
O BARÃO DE FORRESTER - HOMENAGEM

Barao.png

Joseph James Forrester nasceu na Escócia a 21 de Maio1809 e morreu misteriosamente no rio Douro em 12 de Maio de 1861.Veio muito novo viver para o Porto, para a casa de um tio, negociante muito abastado, que comprava as pipas de vinho do Porto por dez mil réis e depois as vendia na Inglaterra por mais de setenta. Educou o sobrinho para lhe continuar o negócio, mas ao jovem aconteceu algo de belo e imprevisível: apaixonou-se pelo rio Douro.

A compra e venda da produção dos lavradores eram para ele apenas um pretexto para viver no rio. Tal era a paixão fluvial, que mandou construir um barco do estilo rabelo, para aí poder permanecer por longos períodos e receber os seus amigos e pessoas importantes da época, aos quais oferecia jantares esplêndidos. Conta a história que este barco, de tão requintado e luxuoso que era, impressionou na época, não só pela magnífica tripulação rigorosamente uniformizada, mas também por já dispor de magnificas condições, tais como: cozinha, sala de jantar, leitos e retrete.

Acompanhado pelos mais valentes marinheiros, o barão navegava desde o Porto até Barca de Alva, ficando horas e horas ancorado no fundo do rio, a desenhar os pormenores das margens, as encostas a descer em catarata até ás ribas rochosas, os cachões sinuosos que a água fazia entre as valeiras, e redigia notas para os seus opúsculos sobre o Douro. A coroa de glória a que aspirava, conseguiu completá-la: o Mapa do Douro, um minucioso levantamento reduzido a um desenho de três metros de comprido e 68 cm de largo, nunca sendo comercializado, mas sim oferecido a quem se mostrasse interessado, independentemente da classe social a que pertencesse. Nunca um rio português tinha sido estudado com tanto amor, tanto rigor científico, tanta despreocupação material. Este trabalho esplendoroso, adicionado aos vários mapas da região demarcada, fez com que o governo lhe atribuísse a honraria do título de Barão, constituindo um feito inédito até então, conseguido por um estrangeiro.

Em Maio de 1861, o barão de Forrester foi visitar D. Antónia Adelaide Ferreira, a uma das de mais de meia centena de quintas de que a famosa Ferreirinha era proprietária: A Quinta do Vesúvio. Esta quinta, situada na Horta de Numão, entre a Pesqueira e Foz Côa, e que contém dentro dos seus muros sete montes e trinta vales, era uma das preferidas de D. Antónia. Ali a detentora de uma das maiores fortunas do Douro primava em receber as suas visitas, debaixo de uma frondosa palmeira que ainda hoje existe. Ao instalar-se o barão no Vesúvio, aumentou assim o número de visitantes que já ali se encontravam, a saber, a filha de D. Antónia, o genro (jovem conde de Azambuja) e ainda o juiz de direito da comarca, que apreciava muito não se sabe se a quinta, se o famoso vinho, se a Ferreirinha.

D. Adelaide, ao ver-se ladeada de toda esta gente, e talvez um pouco saturada de tantas visitas, decide anunciar a sua partida no dia seguinte para a Régua. O barão disponibiliza-se de imediato para a acompanhar, ao que recebeu resposta negativa da proprietária, alegando que o mesmo não tinha lá o seu barco. Num gesto de galanteio e contra resposta, o barão fez questão de a acompanhar, porque era conhecedor do percurso e seria o governador do barco da enérgica Senhora. Separava-os da "Princesa do Douro" a distância de cinquenta e seis quilómetros e havia que passar pela pior garganta do curso: o cachão da Valeira. Era este o local que mais impressionava o barão, e por ele desenhado várias vezes. Foi precisamente aí que a tragédia caiu sobre os viajantes.

Os remeiros não puderam evitar a força da torrente, o barco afundou-se e todos os ocupantes foram atirados para as águas revoltosas do rio. As grandes saias de balão que então se usavam seriam motivo de salvação das senhoras. Os cavalheiros tiveram outra sorte. Desapareceram dois criados de D. Adelaide, e os cadáveres encontraram-se dias depois nas imediações da Régua. Até um caixote com pratas que a Ferreirinha levava para a Quinta de Travassos em Loureiro, veio a aparecer longe, entalado na roda de uma azenha. Só do Barão não houve mais notícias. Vieram mergulhadores, na esperança de encontrar o corpo, sendo todas as tentativas infrutíferas. O Barão, que sempre usava um grande cinto de cabedal atulhado de libras de ouro, tinha nesse dia calçado grandes botas pretas, que chegavam ao cimo da anca, e tudo aquilo era ouro escondido.

O Barão de Forrester desapareceria, nas profundas deste rio, amante sôfrego, que o abraçou para sempre e o não deixou mais partir. Sentida e merecida homenagem a este amante do Douro e do seu rio.

Basileia - Suiça / Março 2006

Casimiro Coutinho



publicado por MSC às 11:03
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