Blog da família Coutinho, com origem em Sedielos - Peso da Régua, e hoje espalhada pelo mundo. Este será um meio de comunicação entre nós e os amigos. Publicaremos também alguns artigos de interesse geral, nomeadamente sobre o nosso querido Douro.
Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006
VINDIMAS NO DOURO

        

    A "Roga", presente este ano na vindima de D. Leontina (Foto de Bárbara Coutinho)


       Fim de Setembro no Douro. O verde exuberante que as vinhas adquiriram na Primavera e Verão, apresenta-se agora com um tom levemente acastanhado, sinal do envelhecimento das folhas e natural amadurecimento das uvas.

        Quem visita a região nesta altura, tem oportunidade de experimentar uma sensação de calma e serenidade, motivadas não só pelo colorido da vegetação, mas também pela diminuição gradual do calor, aliado à queda das primeiras chuvas, factores inspiradores de momentos de introspecção e nostalgia.

        O Outono chegou, e com ele a altura das colheitas. O ambiente calmo da natureza contrasta com a azáfama e agitação das pessoas, que se preparam para mais uma colheita, fruto de um ano de trabalho e preocupações.

        O ciclo produtivo terminou. O ano foi bom, as uvas estão maduras e perfeitas. Começa o ciclo da sua recolha e fabrico do vinho: AS VINDIMAS.

        Em toda a vasta região vinícola do Douro, este evento, tradicionalmente alegre, move tudo e todos. Nesta altura, todas as infra-estruturas necessárias estão prontas para a recolha de uma das maiores produções de vinho do mundo.

                                              

D. Leontina exibe orgulhosamente dois magníficos exemplares da sua produção ( Foto de Jorge Coutinho)

       Na casa de D. Leontina, matriarca da nossa família, a vindima foi marcada para  23 de Setembro, facto que motivou  mais um alegre encontro dos familiares que puderam estar presentes.

        O dia amanheceu chuvoso,  não desmotivando o entusiasmo da “roga”, que de cesta e tesoura na mão, se lançou decididamente ao trabalho. Felizmente, aos poucos, o sol começou a brilhar, trazendo mais alegria  aos vindimadores.

        
                   Duas vindimadeiras em acção ( Foto de Jorge Coutinho)
 

       A meio da manhã, o cheiro do tradicional bacalhau frito começou a invadir o ar. As uvas brancas estavam vindimadas, esmagadas, e o vinho encubado pelo processo de “bica aberta”. Era altura de fazer uma pausa para petiscar, conviver e acompanhar com um copinho de vinho. O trabalho estava a correr bem, daí a satisfação estampada no rosto de todos,  dando origem à consequente e alegre “cavaqueira”.

                                               

      Concentração e determinação no trabalho ( Foto de Jorge Coutinho)
    

       Mas a “patroa” não dava tréguas. As uvas tintas, de maior quantidade, estavam por vindimar, por isso havia que recomeçar, “antes que chovesse”. Mas não choveu, e o dia decorreu trabalhoso, alegre e compensador.

        A meio da tarde, a vindima terminou. As tesouras e as cestas foram recolhidas. A alegria e a feijoada à transmontana, brilhantemente confeccionada pela Paulinha, eram factores mais que suficientes para superar o cansaço que todos sentiam. Era tempo de descansar, comer e saborear o excelente vinho produzido pela nossa mãe, na sua pequena, mas muito bela propriedade, que nos enche a todos de orgulho e satisfação.

        

                 " Mano Velho" operando na esmagadora ( Foto de Jorge Coutinho)


       Com a fermentação, trabalho do vinho no lagar, prensagem e encubação, o processo ficou concluído e os participantes foram regressando aos seus locais de residência.

        Agora, o vinho terá o seu tempo de transformação nas vasilhas, até se tornar no precioso néctar, factor de união, alegria e satisfação nas reuniões familiares que se vão realizando ao longo do ano, especialmente o grande encontro dos Coutinhos no Verão.

                                             

Trabalho nocturno no lagar ("Pousa") (Foto de Higino Coutinho )

  

     Nas videiras, já só  restam as folhas, que o Outono no seu decurso se encarregará de, aos poucos, fazer cair. Não tarda, novo ciclo produtivo se iniciará e culminará, a seu tempo, com novas VINDIMAS.

        Até para o ano.

 

        Jorge Coutinho

        Matarraque-S. Domingos de Rana, 03 de Outubro de 2006



 

 

 

 

 



publicado por MSC às 23:47
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